Sabermídia











{abril 8, 2010}   Feira livre e colaborativa

Juliana Cunha especial para o Catraca Livre em 25/03/10

Quem produz suas próprias peças, seja roupas, chaveirinho ou até mesmo quadros, sabe da dificuldade que é fazer essa produção circular. Para vender, é preciso ser visto. Para ser visto, é preciso arrumar um bom ponto. Para arrumar um bom ponto, a pessoa humana leiga e sem dinheiro costuma jogar as mãos para o céu e se render à burocracia, papeladas e à sorte.

A Endossa é uma loja colaborativa que tenta contornar essas dificuldades para mini-micro-nano-empreendedores. Quem expõe na Endossa aluga pequenos espacinhos que eles chamam de células. O aluguel varia entre R$ 85 e R$ 630.

A matriz da Endossa fica na Rua Augusta, 1360, em São Paulo, mas o trio de idealizadores Gustavo Ferriolli, Rafael Pato e Carlos Margarido pretendem abrir franquias ainda este ano: uma no Centro Cultural São Paulo e outra em Curitiba. A loja da Augusta funciona de terça a quinta das 12:00 as 20:00, sexta e sábado das 12:00 as 22:00 e domingo das 16:00 as 22:00.

divulgação

 

Uma lojinha de estudantes para estudantes
O Box1234 é uma das mini-lojinhas dentro da Endossa. Mantida por estudantes, feita por estudantes e, em grande parte, consumida por estudantes, o Box vende projetos elaborados dentro da faculdade, produções diárias, estudos e experimentações de jovens artistas.

O projeto é mantido pela estudantes de Artes Visuais da Belas Artes Marcia Beatriz Silveira, de 27 anos; pelo professor de artes e estudante de Artes Visuais da Belas Artes Pedro Easterlic, 22 anos, e por Cesar Tavares, empresário e também estudante da Belas Artes, de 31 anos.

No começo, há quatro meses, eles alugaram uma pequena célula e começaram a vender peças pequenas, no máximo em tamanho A3. Recentemente, há um mês, se mudaram para um box maior e passaram a vender quadros, esculturas e desenhos de todos os tamanhos.

O espaço do Box1234 é feito de amigos para amigos. Não há critério de seleção ou curadoria, se é amigo do trio que mantêm o box e quer vender trabalhos lá, está convidado. A peça fica na loja por um tempo estipulado. Caso não seja vendida, volta para o artista, que pode substituir por outra peça. “Assim, transferimos a curadoria para o público que, se gosta, compra a obra. Garantimos também rotatividade em nosso pequeno espaço”, dizem eles.

Nenhum dos três estudantes do Box 1234 tem trabalho em galerias de arte. Para eles, o Box representa uma esperança de um dia poderem viver do que produzem artisticamente. “O fato é que o espaço na Endossa é um laboratório muito grande e está sendo muito bom pra gente. Só temos a agradecer a equipe de lá”, conclui o trio.

Serviço:
Rua Augusta, 1360 – Centro – São Paulo
(11) 3854-9233

 



{março 17, 2010}   Video sobre Midias Sociais


Entre os dias 16 e 21 de março acontece a Mostra & Seminário Cinema e Política, que será realizado no Centro Cultural da Justiça Federal. O evento é organizado pelo Programa de Pós Graduação em Psicologia da Universidade Federal Fluminense, com curadoria de André Queiroz, André Santos e Anderson Vilela.

O evento terá seis eixos temáticos: cinema & ditaduras; cinema & processos revolucionários; cinema & libertação nacional; cinema & movimento sindical; cinema & globalização; cinema & socialismo no século XXI. Durante a mostra, haverá três mesas-redonda com os seguintes temas: Golpe de Estado e processos revolucionários (Jorge Vasconcellos, Carlos Eugênio Paz, Roberto Mader); Fim da ditadura: abertura e esquecimento (Juan Posada, Daniel Aarão Reis, Denis de Moraes); Globalização e socialismo no século XXI (André Queiroz, Francisco Carlos Teixeira, Rogério Haesbaert).

A cada dia, três filmes serão exibidos. E o valor do ingresso é de 1 real.

Veja aqui a programação completa.

fonte



Festival das Resistências e Arrastão Latino Americano de Rádios Livres
Por MOVIMENTO POPULAR E RÁDIOS LIVRES 16/03/2010 às 02:26

Aconteceu neste sábado, dia 13/3/2010, na Cidade do México, o Festival das Resistências, em que 12 bandas e músicos ajudaram a reunir 10 mil e 400 pessoas contra a criminalização dos movimentos sociais e para fortalecer e dar visibilidade a 9 movimentos indígenas, camponeses e de trabalhadores: o Consejo Autónomo Regional de la Zona Costa de Chiapas, Consejo de Ejidos y Comunidades Opositores a la Presa La Parota, Consejo Indígena Popular de Oaxaca Ricardo Flores Magón, Coordinadora Regional de Autoridades Comunitarias – Policía Comunitaria, Frente de Pueblos en Defensa de la Tierra de San Salvador Atenco, Frente Popular Francisco Villa Independiente – UNOPPI, Radio Ñomndaa, SME, e as Viudas de Pasta de Conchos.

Ao mesmo tempo, rádios livres e comunitárias de pelo menos quatro países (México, Colômbia, Brasil e Argentina) interligaram suas programações ao Festival e entre si, trocando conteúdos e retransmitindo pela internet e em ondas eletromagnéticas. No Brasil o “arrastão” contou com a rádio livre da Universidade Federal de São Carlos (SP) e, no Rio de Janeiro, a rádio Porto Área que, em sua primeira transmissão teste neste sábado, não apenas participou do Festival como realizou um encontro com rádio livreiros de vários coletivos, visando rearticular o rizoma de rádios livres na região e propor ações para o Fórum Social Urbano. No mesmo espaço houve também uma reunião do rizoma Flor da Palavra, de inspiração zapatista, que atua no sentido de facilitar a comunicação e a solidariedade entre os movimentos sociais e também com outros grupos, especialmente os de “abajo”.

Sítio do Festival: Jovens em Resistência Alternativa

“Arrastões” já realizados no Brasil: (2006) Rede Arrastão de Rádios – Pequeno relato | (2006) Arrastão de rádios livres – nesse fim de semana | (2006) Rizoma internacional de rádios livres entra em ação neste sábado | (2006) Rádio Arrastão, agora, aqui, em qualquer rádio (ou computador ligado a internet) | (2005) Programação de domingo da Rede Arrastão | (2005) Programação de sábado da Rede Arrastão

fonte: http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2010/03/467341.shtml



Que cultura queremos?

Entendemos a cultura não apenas como a forma de expressão das relações e sentimentos humanos, mas também como um poderoso instrumento político. O controle de sua produção e do acesso a ela é elemento essencial para manter a dominação dos povos e a concentração de poder. A cultura restrita e limitada pela lógica mercantil entope de resignação as veias pelas quais corre a criatividade humana e bloqueia as possibilidades de produção diversa e abrangente que o desenvolvimento cultural livre exige. A cultura genuinamente livre depende de autonomia, acesso universal e livre manifestação. Não pode ser determinada por direcionamentos e restrições mercantis, e deve garantir a sobrevivência justa e solidária do autor.

Mas, justamente por suas características políticas e sociais, não basta que apenas o produto cultural tenha essas características. É necessário que todo o processo de criação e difusão seja livre, garantindo aos sujeitos sociais condições suficientes para criarem e acessarem todos os bens culturais. A cultura livre é, portanto, um passo na construção de uma sociedade livre.

Assim, não podemos confundir. Reivindicamos uma cultura que não seja apenas gratuita, mas sim genuinamente livre. Livre das amarras do mercado, das imposições do Estado, das limitações econômicas e dos interesses corporativos. Não queremos uma produção cultural que sirva aos ‘novos modelos de negócios’, nos quais as liberdades de acesso aos bens são mantidas mas o circuito de produção mercantil se recompõe. A cultura livre deve, por um lado, garantir a diversidade sem se submeter à lógica da indústria cultural e, por outro, garantir o acesso livre, gratuito e não mercantil aos bens culturais.

Ao mesmo tempo, é essencial pensar a sustentabilidade e a construção dos criador@s livres dessa cultura, mesmo dentro dos limites do atual sistema econômico. Precisamos, para começar, combater o jabá e pensar um mercado baseado nos verdadeiros princípios da economia solidária, buscando a autogestão e a diversificação do acesso da massa às culturas de qualidade.

Devemos questionar os modelos de publicidade e das concessões dos meios de comunicação, que acabam produzindo falsos desejos e uma cultura artificial, beneficiando apenas os artistas que se submetem à lógica da indústria. Sem sujeitos que buscam a emancipação não há pensamento crítico suficiente para romper com as imposições da indústria cultural.

Por isso, precisamos fortalecer um movimento de cultura livre que seja contra esse atual modelo, que seja autônomo, genuíno e intimamente ligado às questões políticas e às relações sociais e humanas. Queremos uma cultura livre que seja, também, conhecimento livre. Ela deve incorporar a luta pela livre determinação dos povos originários, de suas culturas e costumes. Deve brigar pelo fim das patentes, pelo acesso universal à saúde e à educação. Pela produção saudável e racional de sementes, plantas e alimentos. A cultura livre é um bem comum e deve fazer parte do processo de construção do bem viver, que tem como princípio fundamental o zelo a todo o tipo de vida.

A hora é agora

Vivemos um momento de definição do que é o acesso e a produção da cultura. As novas tecnologias, por terem a capacidade de ampliar as possibilidades de democratização da comunicação, da cultura e do conhecimento, passam por um processo de institucionalização e cercamento legal que, ao contrário, podem servir como mecanismos de vigilância e controle. As leis internacionais e nacionais que regulamentam o tráfego de informações são cada vez mais rígidas e engessam, por sua vez, as possibilidades criativas dos seres humanos, com objetivos claros de controlar as mentes das massas. Assim, é urgente nossa manifestação.

Sob essa perspectiva, convocamos organizações, coletivos e indivíduos para discutir o projeto da cultura livre que queremos no Diálogo Interplanetário de Cultura Livre, que acontecerá durante o Fórum Social Grande Porto Alegre 10 anos, na cidade de Canoas, entre os dias 25 e 29 de janeiro de 2010.

Queremos dar início à construção internacional de um espaço autônomo para a discussão de uma cultura contestátoria, que abarque aqueles em busca da emancipação e da liberdade na produção cultural e que tenha vistas a um Fórum Internacional de Cultura Livre, no segundo semestre de 2010.

O Diálogo Interplanetário de Cultura Livre já conta com articulações em países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Brasil e está aberto a tod@s que quiserem contribuir. Será um espaço autogestionado de debates e produção cultural, com feiras de livros, shows de música independente, debates sobre a propriedade intelectual, produção cultural, transmissões de rádios e Tvs comunitárias, oficinas de software livre e muito mais – ou o que aparecer.

fonte:

http://www.acaoeducativa.org.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=2149&Itemid=149

Relato do meu amigo Rodrigo no site do partido pirata:

http://www.partidopirata.org/node/272

Fotos



O princípio do infoativismo:

30/11/2009 por jandirafeijo

Silvio Mieli: professor de mídiartivismo da PUC-SP em entrevista

Filipe Serrano / Link / Estadão

Para o professor Silvio Mieli, do departamento de jornalismo da PUC-SP, os protestos de Seattle foram essenciais para criar um novo papel da internet. Mas, em entrevista ao Link pelo telefone, criticou a incorporação do modelo.

O que Seattle marcou para o ativismo pela internet?

Se o Zapatismo foi a primeira insurreição contra a ordem mundial dos anos 1990, a Batalha de Seattle, em 1999, foi a primeira insurreição contra o monopólio midiático. Foi a primeira vez que se organizou um coletivo para cobrir o evento, descarregando as fotografias e os textos dos protestos diretamente na internet. Não foi apenas uma experiência política, foi uma das primeiras experiências mundiais desse tipo de uso da tecnologia. Depois o blog iria se popularizar. Tudo isso estava em Seattle. Foi um ponto de mutação.

O jornalismo colaborativo ou cidadão nasceu ali?

Como poucas vezes tivemos na história, os jovens de Seattle, que fuçavam na tecnologia, tiveram um papel importante para rapidamente colocar o conteúdo na internet. Nasceu um conceito do imediatismo, de eliminar intermediários. Era preciso facilitar o acesso das pessoas às informações. Agora, houve uma adaptação a esse modelo. Entramos num capitalismo imaterial em que nos tornamos consumidores-produtores e alimentamos uma rede gigantesca. Devemos olhar as redes sociais com mais cuidado. É preciso resgatar a ideia de construir e articular redes que possam de fato mobilizar as pessoas.

Uma década de ativismo 2.0

Durante os protestos contra a OMC, há dez anos, Indymedia transformava a autopublicação em causa política

Existiu uma época – sem YouTube, Flickr, Wikipédia, blogs ou qualquer ferramenta de autopublicação – em que colocar seu relato na internet era muito mais um ato de protesto do que qualquer outra coisa. Uma época em que se buscava uma nova forma de comunicação, mais livre de intermediários.

Toda a ideia de jornalismo cidadão, que inspirou o desenvolvimento de plataformas de publicação na web, tomou forma há 10 anos, em 30 de novembro de 1999, durante os protestos em Seattle contra a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC – ou WTO, na sigla em inglês), que daria início à rodada do milênio, para negociar maior abertura do comércio mundial.

Ao menos 40 mil pessoas, entre elas ativistas, membros de ONGs, sindicalistas, ambientalistas e anarquistas, reunidos sob uma organização descentralizada chamada de Direct Action Network (DAN), tomaram as ruas do centro de Seattle e furaram o bloqueio em torno do local onde a reunião acontecia. A manifestação ficou conhecida como N30 ou a Batalha de Seattle.

Foi lá, durante os protestos, que os participantes começaram a usar as tecnologias para mostrar o que estava acontecendo nas manifestações – não só para se organizar, mas para interagir com ativistas de todo o mundo que não estavam lá. Eles usavam uma improvisada rede de comunicação, com celulares, rádios, notebooks e modems conectados à web, para publicar imagens e relatos sobre os protestos.

“Seattle foi a primeira grande explosão de protestos por uma justiça global. E juntou muitas pessoas de diversos movimentos, com diferentes ideias do que era necessário mudar no mundo”, diz Margaret Levi, professora do departamento de ciência política da Universidade de Washington e responsável por um projeto de resgatar a história dos protestos em Seattle.

Entre os envolvidos, surgia o coletivo Indymedia, um grupo de ativistas que se reuniu para fazer uma cobertura jornalística alternativa dos protestos em Seattle. No Brasil é conhecido como Centro de Mídia Independente (CMI).

Para cobrir os protestos de junho de 1999, durante o encontro do G8, em Colônia, na Alemanha, o embrião do Indymedia usou uma ferramenta de publicação, um tipo de blog coletivo, criado alguns meses antes por um grupo da Austrália.

Desenvolvido para ser um mecanismo que desse voz a cada manifestante presente nos protestos, o site permitia já naquela época uma cobertura em tempo real da manifestação em Seattle, em texto, áudio e vídeos. Cinco documentários ainda foram produzidos pelo Centro de Mídia Independente de Seattle.

“As pessoas tiravam fotos, colocavam depoimentos, publicavam sua opinião sobre que estava sendo discutido, no caso, na rodada do milênio da OMC”, diz Pablo Ortellado, um dos fundadores do CMI no Brasil, criado quatro meses depois de Seattle. “Muitos grupos dos EUA se interessaram pela ferramenta do Indymedia. Mas, como era aberta, ela era muito mais usada pelos manifestantes individuais do que por revistas e veículos alternativos”, continua.

O site do Indymedia teve mais de 1 milhão de acessos durante o lançamento, no N30, o que sobrecarregou os servidores. “Foi aí que incorporamos a autopublicação como essência do site. Do ponto de vista da web 2.0, era um projeto totalmente radical. Se você for ver, os blogs foram continuação disso. Não é a toa que o YouTube, o Twitter, o Craiglist saíram de desenvolvedores que fizeram parte do Indymedia. O Twitter foi criado para ser usado em manifestações”, diz Ortellado.

Hoje o YouTube faz campanhas por vídeos que defendam a liberdade de expressão no mundo todo; o Twitter serve como troca de informações durante os protestos no Irã; blogueiros palestinos relatam abusos, entre outros exemplos que têm ocorrido nos últimos anos.

Há muitas críticas à incorporação das ideias do Indymedia por sites comerciais, principalmente quanto à privacidade dos usuários, às limitações impostas e à necessidade de gerar lucro e publicidade.

De qualquer maneira, a partir do Indymedia e de Seattle, surgiram muitos outros projetos que procuram dar voz na internet a grupos de pessoas que antes não tinham como expressar suas opiniões ou relatar o que veem e vivem em suas comunidades.

“A tecnologia foi importante para planejar os processos e para trocar informações depois dos protestos. Muito mudou nestes 10 anos. Ainda vejo muitas demonstrações políticas, mas elas são feitas de outra forma. Vemos que há grupos menores, mais comprometidos, não só se mobilizando em protestos, mas realmente trabalhando para mudar o mundo”, diz a professora Margaret Levi.

Foto: Manifestantes penduraram bandeiras em um guindaste para protestar contra reunião da OMC

fonte: http://jandirafeijo.wordpress.com/2009/11/30/a-batalha-de-seattle-ainda-nao-terminou/



Participação colaborativa do Capi (Bruno Neira) no Barcamp’arte livre postado no blog coletivo durante o Campus Party 2009

elementos para uma teologia pirata 0.1a

#1
existe miséria. e porque ela existe, e somos privados do mundo que a publicidade promete, todo consumo é uma conquista, todo canal livre é uma regalia. puxa, como é bom assistir novela em p2p. não pagar nada para ouvir o hit do momento. usar outro sistema operacional fechado e contrabandeado. pequenas alegrias, funcionam como anti-depressivos e radiofreqüência: nos mantém em nosso lugar. este é o jeito que o mundo é, onde existe uma chance de termos, e uma boa chance de não termos.
não existe miséria. o mundo inteiro é nosso, logo de início, se não cairmos em mãos erradas. a pirataria, os furtos, as caronas, o software livre, as orgias, as carícias, todo canal livre para pensar, sentir e viver deve servir para nos acostumar à idéia: o mundo é nosso. não comemos dinheiro, como não recebemos dele amor. precisamos antes de comida e companhia e se procurarmos, os encontraremos mais facilmente que o dinheiro. livres, procurando o que precisamos, em breve perceberemos: não queremos esse consumo. nos faz infeliz o ritmo de renovação da moda, da tecnologia, da música e dança. nos faz infeliz a publicidade que rejeita nossa sexualidade, nossa alimentação, nossa colaboração, nossa experimentação; embora venda algo que maquia de erotismo, satisfação, companhia e inovação.
se não precisassemos mais trabalhar, viveriamos breves férias. depois saíriamos para fazer algo. igualmente, se não tivermos nosso caminho obstruído com relação a representação do mundo, a descobririamos. e depois de desmascará-la, nos ocupariamos de criar algo para nós mesmos.

#2
no desenho do mundo ao nosso redor está a história do que se experimentou e o desejo do que poderia ser. se isto é evidente no software livre, deveria ser ainda mais explicito em nossos artefatos cotidianos. a bicicleta evoluiu atendendo aos ciclistas e bicicleteiros, mas o modelo de hoje está longe do ideal. a publicidade entrou no meio da produção, e o que é popular hoje nos faz andar curvados e ameaça nossa fertilidade. não devemos temer a bicicleta e preferir o carro (talvez essa seja a mensagem do desenho atual): devemos redesenhar nossa bicicleta (talvez esta seja a verdadeira mensagem do desenho atual).
em tradições e expectativas, tudo ao nosso redor é digno de atenção. re-desenhar é urgente e gostoso, é semente para as comunidades mais intensamente conectadas. mas não queremos profissionalização, apenas criatividade. criar é hackear, é pensar algo novo, testar, sentir e decidir. profissionalizar é consumir a criação, não diferir, seguir um modelo e ajustá-lo ao mercado. esqueçam, se possível. o novo desenho não se pode escravizar. não componhamos músicas para vender, ou mesmo para ouvir. componhamos para tocar, seja esta nossa estética. os ouvidos todos existem.
criar traz às novas expectativas um lugar no mundo. traz também a possibilidade de um novo mercado, de uma nova indústria, de um novo modelo de propriedade, privação e consumo. não nos iludamos, tudo isto é mais do mesmo. o capitalismo é sim o mesmo esqueleto de sempre, tão velho quanto o desejo de lucrar. mas ainda mais velho que este desejo é O desejo e A revolta. desejamos desde que nascemos, nos revoltamos assim que percebemos. deixemos de lado o mercado e suas drogas, e tratemos de novo disto que nos compõe.

#3
nem tudo o que fazemos é óbvio, embora seja assim que orientamos todo nosso plano de vida. é claro que desejamos estudar, nos formar, trabalhar, ganhar bem, constituir familia, envelhecer, morrer o mais tarde possível. não apenas é tudo mentira, como nos custa caro, abandonar os sonhos, as utopias e cosmogonias, toda nossa filosofia, em troca de uns trocados, um espaço na engrenagem do mundo, e a certeza de que seremos substituídos um dia pelos próximos.
tenha horror ao óbvio. arrepie-se diante da agenda previsível. então assuste-se com a representação do mundo. revolte-se com as mulheres da publicidade, com os cheiros que a televisão vende, com os grandes feitos do cinema. as músicas e filmes de guerra dizem o que? somos pacifistas, porque é tão gostoso este material? ou não é? é desejar algo intenso o que nos faz ver intensidade neste material. é desejarnos representados que nos faz ver representação alguma em tudo isto que consumimos. é ilusão, só vamos estar representados em nossa representação. só nos fará intensos a nossa realização intensa.
a realização se dá na resposta às tradições e às expectativas. não somos artefatos, mas tampouco estamos acima de nossa natureza. somos parte feitor, parte feitos. parte hard, parte soft, somos ciborgues a partir do momento que percebemos, embora aceitemos e processemos ordens desde sempre. o que há de se aceitar é que somos parte do que nos cerca, e tudo que tomamos para nós nos compõe também. mas não há de se aceitar nada nisso: redesenhar o que nos cerca e o que tomamos para nós é urgente. precisamos ser para além de nosso espaço-corpo. não queremos ser felizes sozinhos.

#4
redesenhar e criar são parte do esforço intenso de abandonar a representação do mundo, rumo a uma liberdade desejada, expressiva da nossa humanidade, que não se compromete à representação porque é vida em si mesmo, não promete mais nada a ninguém. e embora seja desta qualidade, exige um esforço compreensivo, de toda diferença, de toda diversidade, que se entenda a ponto de se tolerar (o discurso pequeno), a ponto de se amar (o verdadeiro discurso), a ponto de colaborar e tecer entre si os caminhos para realizar-se, resistindo às promessas da representação, algo autônomo, local e temporário, mas também significativo para todo esforço. sejamos nossa própria tradição nestas realizações, façamos do nosso desejo e revolta a nossa expectativa. tudo isto é fazer do mundo (e não de sua representação) algo vivo, algo que possamos amar. tudo o mais é fetiche, é amar algo que não vive, é dedicar-se a nada.
para costurar esta rede que é primeiro de sonho, desejo e revolta, mas então também é de resistência, para costurá-la é necessário acreditar e espalhar a crença. de que outro mundo é possível, que existe, e é preciso expressá-lo na experiência imediata da vida. em tudo que somos oprimidos é fácil imaginar esta vida: expressar nossa sexualidade em paz, assumir nossa etnia sem medo, saciar nossa fome e cantar algo que faça sentido para nosso coração. em tudo o mais, fará sentido conforme experimentemos – é possivel amar e manter nossas casas limpas.
para abandonar o trabalho, as tarefas forçadas, as obrigações todas, é urgente uma educação social, que se orienta a liberdade inclusive espiritual, que seja radical em nunca esquecer o desejo, e em realizar a revolta abandonando a representação. tão radical que não tenha lugar na representação do mundo, e ainda assim a amedronte a ponto de ceder espaço. onde quer que esteja o educador radical, com apenas o cheiro da revolta, é possível multiplicar. é possível atender o desejo na liberdade criativa, realizar o ato de revolta e multiplicar a educação social radical na forma de sonho. trata-se antes de vida que de um projeto de partido.
é mais, é só um ponto de partida. o desejo, a revolta e o sonho todos já conhecemos, e dispensam nomes.



{janeiro 9, 2010}   O Objetivo é o Subjetivo

Artigo publicado na Revista Escrita da ONG Guatá Cultura em Movimento de Fóz do Iguaçú:

por Alissa Gottfried

O limite entre o que somos o que queremos ser e o que querem que sejamos se configura com um mecanismo das relações de poder.”

Trecho do texto de Tininha Llanos Artistas e piratas, hackers e cidadãos comuns, cientistas e imperadores #

Repensar os modos de vida hoje é quase proibido. A liberdade é quase uma utopia e o quase é o que nos salva da robotização para o consumo. Nossos sentidos acostumados às “drogas” dificultam-nos de ver o que está por trás do anúncio publicitário. Assim como, desde criança somos ensinados a comer açúcar e apanhar quando fazemos arte, crescermos nos acostumando à banalização da vida: propaganda da indústria do mercado do comércio do consumo do fetiche.

O circuíto midiático crescente e passa a ter tanto poder e alcance que quase engole espaços como a escola, o correio e as lojas de discos. Mas um sistema normatizante age contra a perda do controle. Com a propriedade intelectual considera-se que as idéias são como objetos que devem ter um dono. Apartir dessa norma um debate imenso confronta o sistema que regula a apropriação das idéias. Enquanto isso surgem ações que invertem a lógica como o Movimento Software Livre.

Este movimento propõe a colaboração onde cada um soma seu conhecimento ao conhecimento do grupo desenvolvendo softwares que tem seus códicos abertos, ou seja, você pode saber como o software foi desenvolvido, pode usá-lo, melhorá-lo e devolvê-lo melhorado à comunidade que o disponibilizou. Isso numa dinâmica colaborativa que liberta as idéias pois impossibilita a apropriação e dependência que os donos do conhecimento detinham.

Com a implosão da mídia-digital controlar a distribuição de conhecimento, música e vídeo ,se torna um problema para quem, até então, mantinha os poderes de cópia, que na maioria das vezes nem era do próprio autor, mas sim das editoras e gravadoras. Isso pode ser considerado a mais valia artística já que artistas e autores recebiam em torno de 1 a 3% do valor da venda de discos e livros. Por muitos anos isso funcionou até que os próprios artistas começam a produzir suas obras e disponibilizam seus conteúdos na internet como no Movimento Música para Baixar.

Exemplos como esse representam a resistência criativa e inteligente que possibilita a liberdade enquanto ação em prol da colaboração e não só da competitividade do capitalismo selvagem. Resistir com criatividade é um objetivo que me tornou educadora popular e usuária 100% software livre. Já que a educação formal incluindo as universides na maioria das vezes ainda reproduzem um sistema de poder desigual que não está voltada a desenvolver a dignidade e o pensamento crítico e criativo passei a estudar e trabalhar em projetos sociais que proponham ações pela autonomia como no Pontão Minuano onde desenvolvemos cursos de áudio, metareciclagem, vídeo, arte gráfica e comunicação com software livre para que as pessoas e pontos de cultura possam produzir e publicar seus próprios conteúdos sem precisar comprar ou piratear softwares proprietários. Entendo com esse trabalho que o empreendedorismo social e cultural é uma alternativa para difundir a cultura brasileira onde as comunidades podem se desenvolver com mais dignidade e auto-estima.

Precisamos saber que condições temos para sermos quem queremos ser e o quanto a democratização da comunicação se torna uma extensão ou a reconstrução da identidade coletiva. Minha indignação contra a indignidade humana Também reconstrói minha identidade. Pela arte colaborativa de sermos nós mesmos.

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# Você pode ler esse texto no link do livro livre: Apropriações Tenológicas – http://blogs.cultura.gov.br/cultura_digital/tag/apropriacoes-tecnologicas/

Alissa Gottfried é artivista, blogueira e educadora de arte gráfica e comunicação no Pontão de Cultura Digital Minuano em Porto Alegre.

fonte: http://www.guata.com.br/Tirando%20de%20letra/B090601TL_o_objetivo_e_o_subjetivo_alissa_gottfried.html

Publicado também no blog do Musica para Baixar: http://musicaparabaixar.org.br/?p=603



O autor Richard Barbrook, em parceria com des).(centro e editora peirópolis, lança seu primeiro trabalho literário no Brasil. Futuros Imaginários demonstra como a política influenciou a forma pela qual a Internet é controlada atualmente e faz um chamado a todos que estão ciber-conectados a usar spanesta poderosa ferramenta para apropriar-se de políticas revolucionárias, e criar um futuro mais positivo. Dr. Richard Barbrook investiga os primórdios da Internet, e começa por um ponto central que foi a Feira Mundial de Nova York em 1964, no que, de acordo com os críticos é a melhor pesquisa e mais original avaliação da cibertecnologia entre todos os trabalhos contemporâneos. Ele demonstra como os líderes dos negócios e os líderes ideológicos aplicaram uma visão cuidadosamente orquestrada de um futuro imaginário, no qual os robôs lavariam as louças, iriam trabalhar e pensariam por nós. Com os Estados Unidos na vanguarda destas promessas, Barbrook mostra como forças ideológicas juntaram-se para desenvolver novas tecnologias da informação durante a era da Guerra Fria e como o que foi criado moldou historicamente a Internet moderna, com consequências políticas intencionadas. site do projeto

http://futurosimaginarios.midiatatica.info/futuros_imaginarios.pdf

http://futurosimaginarios.midiatatica.info/CAPA_FUTUROS_FINAL.pdf

http://futurosimaginarios.midiatatica.info



{janeiro 4, 2010}   Tutorial básico de GIMP

Elaborei um novo tutorial básico de GIMP para o Curso:

– Tecnologia da Informação: Computação e comunicação, Softwar Livre no Sopapo, que será ministrado em parceria com a educadora popular Vânia Pierozan durante os primeiros 3 meses de 2010 no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo em Porto Alegre.

Mais informações acesse o blog do ponto:

http://quilombodosopapo.blogspot.com/

Clique aqui para fazer download do tutorial básico de GIMP



{novembro 5, 2009}   Consciente coletivo

Graças à internet, cada vez mais o conhecimento e as artes são produzidos coletivamente. Bem-vindo à cultura da colaboração. Junte-se a nós.

Socializou geral: a criação individual (e, eventualmente, o egoísmo) passou a ser questionada por uma série de artistas, produtores de conteúdo e até comerciantes. São os tempos, como dizem alguns, da “cultura wiki” (de Wikipédia, a enciclopédia online construída por milhões de autores anônimos). Mas será mesmo possível que o conhecimento seja criado coletivamente? Melhor dizendo: quais são as fronteiras entre individualidade e coletivo na solução de um problema? Dentro da nova consciência de socialização do pensamento trazida pelo colaboracionismo na web, é possível sobreviver sendo um individualista extremo? No telecatch entre competição e colaboração, quando é que acontece a passagem de bastão entre a mentalidade das Décadas do Eu (70, 80, 90) para a nova mentalidade colaborativa dos anos 00? E afinal: existe mesmo uma criatividade coletiva? Se sim, ela pressupõe o fim da autoria?

Muitas perguntas. Mas façamos uma diferença clara, binária, entre a inteligência individualista, da obra fechada, do ponto fixo, e a colaborativa, da obra aberta, da rede. Sobre esta segunda é fundamental a Obra Aberta de Umberto Eco, revolucionário estudo da teoria da informação lançado, não por acaso, no ano de 1968. Ali o ensaísta italiano propõe uma divisão entre o discurso aberto (pense na internet, de múltiplos emissores e receptores) e no discurso persuasivo (pense na TV, um só emissor, vários receptores).

Quando sugeria a “obra aberta”, Eco apenas intuía a formulação de um modelo de produção somente viável graças à nossa aceleração tecnológica. O impacto da internet tornou possível tanto ideias como o open source (do software aberto, como o Linux) quanto a disseminação de redes sociais que sustentam a ideia de uma imaginação colaborativa: nas artes plásticas, na música, na mídia, no comércio. (Ainda falta a política, mas chegaremos lá.)

Essa verdadeira inteligência colaborativa foi definida nos termos de hoje pela cientista norte-americana Vera John-Steiner, em Creative Collaboration (“Colaboração criativa”, sem edição brasileira). A autora investiga como as ideias surgem através da observação do método de trabalho de parcerias famosas, como entre os artistas Georges Braque & Pablo Picasso, ou os físicos Albert Einstein & Niels Bohr. Por certo o estudo de Vera seria ainda mais interessante se ela se detivesse no curioso caso dos escritores argentinos Jorge Luis Borges & Adolfo Bioy-Casares, que narravam “sob uma terceira persona”, um tal Bustos Domecq. Ou, em exemplo mais próximo, na intrigante maneira como os jovens escritores brasileiros Vanessa Barbara & Emilio Fraia construíram uma identidade literária comum inventando a quatro mãos o elogiado romance Verão de Chibo.

A web abriga diversas iniciativas graças a uma nova “inteligência coletiva

O editor Pesquisando inteligência colaborativa na web (onde mais eu arranjaria tanto assunto?), topei com o blog de Gilberto Jr., um esperto designer de interfaces que se dedica a estudar tanto a ciência das redes quanto orientar um grupo de leitura coletiva da… Bíblia. Atendo-se aos aspectos terrenos da web 2.0, Gilberto indica a leitura de um excelente artigo de Kathy Sierra sobre a sabedoria das multidões. Segundo essa crítica professora de programação e criadora de games norteamericana, aproveitar a inteligência coletiva pode trazer muitos benefícios – desde que não seja necessário um consenso prévio entre a comunidade em questão. Assim, agregase de algum modo a sabedoria de cada indivíduo independente (e a interdependência é a senha aqui). Kathy exemplifica:

• inteligência coletiva é um monte de gente escrevendo resenhas de livros na Amazon. Burrice das multidões é um monte de gente tentando escrever um romance juntos;

• inteligência coletiva são todas as fotos no Flickr, tiradas por indivíduos independentes, e as novas ideias criadas por esse grupo de fotos. Burrice das multidões é esperar que um grupo de pessoas crie e edite uma foto juntas;

• inteligência coletiva é pegar ideias de diferentes perspectivas e pessoas. Burrice das multidões é tirar cegamente uma média das ideias de diferentes pessoas e esperar um grande avanço.

Segundo Kathy, um link não fica em primeiro lugar no Google depois que todos os usuários da internet chegam a um consenso de que aquele link é o melhor. Mas o Google aproveita a inteligência coletiva contando mais pontos para os links que são citados por muitos indivíduos independentes. Por buscar consenso entre os editores dos artigos, a enciclopédia colaborativa Wikipédia poderia ser um fracasso, mas o trabalho dos administradores (tomando decisões nem sempre geradas pelo consenso) determina a qualidade do conteúdo. Isso significa que, mesmo socializada, a inteligência colaborativa não dispensa um eixo organizativo; em outras palavras, é preciso um editor.

A inteligência colaborativa deu origem a uma nova disciplina: a ciência das redes. Um de seus principais divulgadores no país é Augusto Franco, que aliou à dinâmica da educação em rede os pressupostos de otimistas da sociedade da informação, como Pierre Lévy (A Inteligência Coletiva. Por uma Antropologia do Ciberespaço) e Fritjof Capra (A Teia da Vida: uma Nova Compreensão Científica dos Sistemas Vivos). No site Escola de Redes, Franco dá o caminho das pedras: “A ideia é conectar pessoas ou redes de pessoas (nunca instituições hierárquicas) de modo distribuído – o que compreende estrutura (forma de organização distribuída) e dinâmica (modo de regulação pluriárquico). O modo de regulação pluriárquico, compatível com a topologia distribuída, não adota procedimentos e mecanismos que produzam artificialmente escassez, como a votação, o sorteio, o rodízio ou a construção administrada de consenso.” Ou seja, é uma entidade que se auto-organiza a partir de regras fixas.

Nem todo mundo, claro, vê com olhos tão felizes a inteligência coletiva. É o caso de Eugênio Trivinho, professor do programa de estudos pós-graduados em comunicação e semiótica da PUC-SP, autor de A Dromocracia Cibercultural. Dromo, do grego, significa velocidade, marca da contemporaneidade. Trivinho é um cético: “Hoje, temos dispositivos que articulam um corpo ao outro, uma casa a outra, uma empresa a outra. Não obstante, isso não aboliu nossa solidão. Nós somos talvez os seres mais solitários e, por isso, precisamos de vínculo”.

O grupo Como vimos, a internet tornou possível agregar muitos talentos em esforços gerentes (Wikipédia, Linux). Um bom exemplo é a ação coordenada pela agência LiveAD, um braço do Grupo Box1824, pioneiro no Brasil na investigação de tendências da juventude (entre 18 e 24 anos, daí o nome) e mais quente polo de cool hunters (“caçadores de bacaneza”) do país. Para dar publicidade à minissérie Dom Casmurro, exibida na Rede Globo em 2008 – que buscava falar com um público tradicionalmente desconectado da televisão, modernizando o clássico de Machado de Assis –, a agência criou o projeto Mil Casmurros, uma rede social online de leitura coletiva da obra. O livro foi dividido em mil trechos que foram hospedados num site em que qualquer internauta podia escolher e gravar sua leitura direto da webcam. Atores, escritores e outras figuras da cena brasileira começaram gravando seus trechos, para que estimulassem outros leitores. Em um mês a leitura estava completa: foi uma das primeiras e mais impactantes leituras coletivas de um livro na internet – até mesmo faturou um Leão de Ouro no festival de publicidade de Cannes na nova categoria de Public Relations em que qualquer internauta podia escolher e gravar sua leitura direto da webcam. Atores, escritores e outras figuras da cena brasileira começaram gravando seus trechos, para que estimulassem outros leitores. Em um mês a leitura estava completa: foi uma das primeiras e mais impactantes leituras coletivas de um livro na internet – até mesmo faturou um Leão de Ouro no festival de publicidade de Cannes na nova categoria de Public Relations

O autor Além da forte interação com o público, o modelo colaborativo tem uma faceta ainda mais radical: a dissolução da autoria. É fenômeno já velho nas artes plásticas, mas aos poucos vem transitando naquele “território de ninguém” entre a arte e o comércio, entre a marca pessoal e uma solução específica para um cliente. Nesse terreno batalham os coletivos profissionais de fotógrafos. A massificação da oferta de imagens e a saturação dos meios de difusão tradicionais apresentam aos autores a necessidade de gerar novos modelos de representação, capazes de destacar sua produção entre milhões. Assim, os coletivos atuam tanto como banco de imagens como plataforma comum para furar um mercado fechado, ou como máquina de criação conjunta, gerando interessantes sinergias e fóruns de discussão entre os membros da equipe. No Brasil, grupos como o paulistano Cia de Foto e o carioca Fotonauta fazem seus autores desaparecerem por trás de suas lentes – mais ou menos como se Lennon e Mc- Cartney jamais assinassem canções sob seus nomes, e sim sempre como os Beatles.

Voltando à arte, mais poético é o exemplo dos cratemen. São bonecos gigantes, criados a partir de engradados de bebidas, dispostos em diversos lugares da Austrália. Ninguém sabe quem começou a criá-los: parecem ter surgido do nada, no início do século 21. A poesia da intervenção dessa arte urbana não reside nas diversas poses dos cratemen – bonecões pescando, andando de bicicleta, dormindo –, e sim no fato de ninguém reivindicar sua autoria. Seu único objetivo é tirar um sorriso do observador distraído.

Ainda na dúvida sobre quem vence a briga pela criação, se o bloco do eu-sozinho ou os conectados? Fique com um trecho de uma carta de Mário de Andrade, pinçada do blog da Cia de Foto, escrita para Otto Lara Resende, que tinha 22 anos na época. Mário, líder do Modernismo, incitava Otto e colegas (Fernando Sabino, Hélio Pelegrino, Paulo Mendes Campos) ao exercício da criação coletiva:

“Queria louvar o grupo que vocês fazem, pela força de cada um, pela diferença de cada um, pelo exercício da amizade que soube escolher sem por isso depender de nenhum estreito ‘espírito de grupo’. Isso é um bem grande, uma felicidade, um exercício digníssimo de vida humana, uma grave modéstia, e um conforto sempre. Como invejo isso em vocês! Talvez tenha sido o que mais me faltou. E os meus companheiros de geração, guardo deles este ressentimento, ainda vinham oitocentistamente tão apegados ao exercício do individualismo, nesta terra sem tradições nem raciais nem culturais, que jamais pudemos viver os benefícios, os confortos, as forças do grupo. Vocês também não possuem tradições nem raciais nem culturais que permitam só por si o exercício do grupo. Mas já têm maior consciência dos coletivos, que o sofrimento deste tempo novo lhes dá. Já não estão enceguecidos pela mania vaidosa do exercício interior dos individualistas. São individualistamente caracterizados, e tão diferentes mesmo uns dos outros, mas nesse exercício exterior do individualismo, que deriva das tendências pessoais e das convicções. O que eu chamo depreciativamente de exercício ‘interior’ do individualismo, interior e menos profundo, era aquele em que vivíamos, nascido apenas da preliminar perniciosa de que era preciso ser diferente, já conseguia duvidar da torre de marfim, mas não passava duma derivação dela, e propunha abertamente o slogan ‘nada de grupo! nada de escolas!’, feito sapos que se quisessem elefantes, gorgolejando ‘eu sou eu!’… Vocês precisam amar o vosso grupo e não será invejar demais se me ponho antes de mais nada amando o grupo de vocês e refazendo nele o que eu nunca pude ter. Não é inveja, é saudade.”

Mário de Andrade escreveu a carta em 25 de setembro de 1944. Se você, como eu, saiu deste artigo com mais perguntas que respostas, fique tranquilo. A inteligência colaborativa apenas começou: e nada indica que ela irá se tornar o paradigma do conhecimento no século 21. Lembre-se que às vanguardas artísticas do século 20 seguiu-se a barbárie nazista; para cada onda de liberdade, uma ressaca de repressão… Caso queira uma iluminaçãozinha que seja, aqui vai uma, apoiada em lugar-comum: nada substitui o talento. Porém, também o talento não substitui o nada que circunda uma inteligência solitária. Isso é tão óbvio como dois e dois são cinco. Certo, Roberto.

fonte: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/085/mente_aberta/conteudo_507773.shtml



{setembro 14, 2009}   Mini-curso de GIMP dia 1º de out

Participe do mini-curso gratuito de GIMP – Edição de Imagens e Fotografias, que ministrarei pela segunda vez no Fórum de Tecnologia em Software Livre que acontecerá em Porto Alegre às 14 horas do dia 1° de outubro na sede da SERPRO.

Conteúdo programático:

Formatos de documentos de imagem; Pixel; A interface do GIMP; Configuração de abas e janelas; Camadas; Opacidade para marca d’água; Edição de fotografias – nívies e cores; Ferramentas de cores: Como fazer máscaras para stencil no GIMP; Ferramentas para edição de fotografias; Pincéis; Ferramenta de texto; Importação de imagem; União de camadas; Filtros: Como fazer fractais no GIMP; Salvar imagem: Resolução e qualidade.

http://www.softwarelivre.serpro.gov.br/portoalegre/mini-cursos/gimp-edicao-de-imagens-e-fotografias

Espero que se divirtam!

Abrazzo

Alissa

Veja aqui o resultado do mini curso:

http://nucleoartedigitallivre.blogspot.com/



fonte: http://redesul.org.br/

Espaço para discussões e debates e também para troca de conhecimentos. Paralela aos fóruns sobre pontos de cultura do Encontro Regional, aconteceu a oficina de web, ministrada pela oficineira do Pontão de Cultura Digital Minuano, Alissa Gottfried. Durante dois dias do evento, cerca de vinte pessoas de diversos pontos de cultura se reuniram para aprender a tratar imagens em softwares livres, a utilizar ferramentas colaborativas, além de elaborar cartazes e cartões de visitas para seus projetos e pontos.

De acordo com Alissa, o foco da oficina é atender as dificuldades e necessidades individuais dos participantes. “ O primeiro dia não propus um cronograma para a oficina, pois queria ajudar os participantes a produzir ou estudar as ferramentas livres que estivessem precisando” declara a oficineira. Como um estímuloalissa à construção colaborativa de conhecimentos, Alissa também apresentou o blog Curso de Gráfico Livre onde ela está estruturando os conteúdos reunidos no decorrer das suas oficinas de gráfico e web.

Outra temática debatida na oficina foi a articulação do Movimento Feminino de Pesquisa, Produção e Multiplicação da Cultura Digital Popular Sul. As meninas que propuseram a criação do Movimento ainda elaboraram o blog de Cultura Digital Sul onde são postados assuntos relacionados à cultura digital. Interessadas em colaborar com os conteúdos do blog devem eviar sua matéria com foto em anexo por mail para: ecoaecoa.culturadigitalsul@blogger.com

PS. Sua mensagem é postada automaticamente através desse endereço acima.

CLique aqui para ver fotos da oficina no encontro

Por Fabiane Berlese
Jornalista Pontão Ganesha



Estão abaixo minhas consideração e ajuda para a avaliação produtiva do Minuano.

Qualquer questão sobre vamos conversando!


Considerações sobre pontos positivos e negativos do projeto desde o iniÍio até o fim e relato crítico para avaliação geral apartir do projeto Pontão Minuano aprovado pelo Minc no primeiro edital.


Por Alissa Gottfried


Pontos Positivos:


  • Produção de distribuição do Live CD com a distribuição Ubuntu e os 4 cursos do Minuano.

  • O contato com os pontos de cultura da região sul.

  • Atividades realizadas com a Casa Brasil de Porto Alegre, Quilombo do Sopapo, CMID Santa Maria, SERPRO, X Feira Estadual de Economia Solidária, Festa da Biodiversidade, Rede dos Pontos Teia, Sindicato dos Bancários, Rede ABRAÇO, Fórum de Segurança da zona noroeste, Conferência de Comunicação em Curitiba, Fórum dos Pontos em São Lourenço e no fisl 9.0, Oficina de Inclusão Digital, Fórum Social Mundial, Campus Party.

  • Empréstimos dos equipamentos para o Ponto Quilombo do Sopapo e outros.

  • A certificação de 120 pessoas no curso de gráfico (não sei numero dos outros cursos)

  • Transporte e diarias para os pontos de cultura para garantir a participação nos fóruns dos Pontos.

  • Reuniões de planejamento estratégico no inicio do projeto com a rede de projetos envolvidos.

  • Oficinas integradas ou não com outros projetos (ABRAÇO, Quilombo, Casa Brasil, …) para o público alvo, no Minuano, eventos e Pontos.

  • Participação de toda a equipe no Teia Nacional em Brasilia.


Pontos Negativos ou não proveitosos:


  • Não formação do conselho gestor e concretização das parcerias com projetos de interesse comum com o projeto.

  • Falta de metodologia da coordenação do projeto

  • Falta de planejamento e deliberações em equipe em eventos e atividades como Campus Party.

  • Muito pouca documentação jornalistica.

  • Muita energia disperdiçada pela equipe em críticas e biocotes e pouca ação direta e pró-ativa pelo grupo.

  • Falta de avaliações construidas pelo grupo, ASL, colaboradores e público alvo durante o processo do projeto e participação em eventos.

  • Demora da compra dos equipamentos e dos materiais para as oficinas.

  • Contratação de arte gráfica para evento apenas com software proprietário da melhor educanda e possível multiplicadora do curso de gráfico do Minuano (Durante o curso ela migrou para estudar e depois desse fato abandonou o Ubuntu e voltou a usar software proprietário).

  • Ausências da coordenação nas rodas do fórum dos pontos e organização do evento em Rio do Sul.

  • Instabilidade da equipe de educadores. (passaram 4 pessoas no curso de metareciclagem como educadores)

Relato Crítico:


Começando do início, sobre a construção da proposta de ação do projeto foram bastante positivas as reuniões iniciais de planejamento estratégico com um grupo preparado para formar um conselho gestor para o Minuano, as reuniões tiveram uma metodologia eficáz mas a atividade não foi concluida.


As reuniões pedagógicas também foram bem aproveitadas no inicio, o grupo conseguiu construir táticas de ação inteligentes, houveram documentações e a equipe estava unida ainda.


Vim colaborando com o trabalho da cultura digital desde 2007 como educadora popular então acompanhei mais de perto processo até o Minuano e talvés porisso me convidaram para assumir a educomunicação livre em arte gráfica. Pensei que não poderia assumir pois trabalhava em 2 projetos meus de arte e educação popular. Mesmo assim houveram pedidos da equipe que fosse eu ao invés da artista gráfica Silia Moan a educadora, mesmo eu não tendo experiência com arte gráfica em software livre. Então com a minha contratação pela ASL foi priorizada a educomunicação com linguagem popular ao invés do domínio em si das ferramentas livres e técnicas para arte gráfica.


A questão dos meus outros dois projetos foi negociada e consegui conciliar o 3 projetos por 3 meses, dediquei-me bastente auto-didaticamente, fui aprendendo e já construindo o curso para o Moodle. Me mantive em contato com pessoas referências na arte gráfica com software livre pela rede e nos eventos.


De fato posso dizer que vesti a camiseta do projeto desde o inicio até hoje, mesmo com altas opressões que me fizeram queres desistir principalmente do oficineiro de vídeo que gerou problemas absurdos de comunicação na equipe. Muito dos problemas internos surgiram assim mas até o meio do projeto quando houve uma quebra drástica na equipe de um lado os coordenadores tentando controlar tudo e todos e do outro as outras pessoas da equipe que se sentiam muito mal com isso. Minha postura nesse tempo todo foi de distanciamento das brigas e críticas pesadas e indiretas para conseguir trabalhar e me dedicar a causa e aos pontos de cultura.


Só assim consegui desenvolver um trabalho muito proveitoso para mim e para os pontos (segundo a avaliação de alguns pontos no encontro da cultura digital em Rio do Sul). Sempre estive trabalhando de boa vontade e propondo o trabalho em equipe. Até no Campus Party onde mesmo tendo pessoas ligadas a ASL organizando o evento não foi oferecido um espaço mínimo para desenvolvermos oficinas ou qualquer atividade. Lá no evento organizei 2 barcamps com desenvolvedores e expertes em arte gráfica em software livre além dos interessados, articulei meios para mim e outros colegas darem oficinas no espaço da Inclusão Digital onde realizei oficinas durante 4 dias do evento.


Quando o Minuano por problemas logísticos externos não conseguiu realizar as oficinas em Santa Catarina por causa das enchentes desenvolvi um projeto com o Ponto de Cultura Artestação que é uma escola de arte gráfica no Cassino em Rio Grande. A atividade proposta como um oficinão de arte gráfica e comunicação, áudio e metareciclagem teve a participação como oficineiro do líder do Laboratório de Mídias Sociais da Unicamp, o Bruno Neyra que trabalhou como metarecicleiro na atividade que durou 4 dias de oficinas integradas no Ponto com implementeação em software livre, uma mimosa feita com máquinas doadas pelo Sindbancários e apresentação das ferramentas livres com uma didática literária.


De todas as pessosa da equipe a única que trabalhou em equipe comigo foi o oficineiro de áudio Henrique Guntzel. Trabalhamos juntos também com o Josué Lopes da Rede ABRAÇO, efetivando a parceria do Minuano com a Rede ABRAÇO, no curso de Comunicação Comunitária com os participantes, inclusive a coordenadora do Fórum de Segurança da zona noroeste.


A principio esse curso teria apenas algumas oficinas que ficaram totalmente a critério dos educadores decidir como queriam desenvolver. Trabalhei com jornalismo comunitário e blog livre e o Henrique com oficinas sobre implementação de rádio-difusão e linguagem radiofônica. As oficinas se tornaram encontros frequentes uma ou duas vezes por semana no Minuano durante dois meses até a cobertura da Conferência Livre de Segurança, que aconteceu agora dia 23 de maio, onde concluo minhas atividades como educadora do Pontão Minuano.


Quis falar como colaboradora além de integrante da equipe já que vim participando da cultura digital também estive nos encontros estratégicos do Minuano.

Muito resumidamente é isso. Agora estou produzindo o portifólio dos produtos para também servir para a avaliação do Projeto.


Alissa Gottfried

Educadora Popular Digital

Ponto de Cultura Odomode/Pontinho de cultura Curiosa’Idade

alissa@softwarelivre.org

(51) 9100 4945



alissa Abaixo o link do curso-wiki de arte gráfica  migrado do ead de Minuano com PDF pra download:

https://ecoaecoa.wordpress.com/curso-de-graficolivre/

A wiki dele está aqui.

http://estudiolivre.org/tiki-index.php?page=Usu%C3%A1rio_alissagott

Partycipe da produção desse tutorial se apropriando das ferramentas livres citadas nele…

Continuamos a Escola Auto-didata linkando nossos blogs…

Programa inicial do curso:

https://ecoaecoa.wordpress.com/programa_oficina_grafico/

Abraço Sináptico

Alissa



et cetera